Resumen
O presente artigo tem como objetivo discutir a linguagem como habilidade cognitiva social, que agencia e influencia mudanças na organização e plasticidade cerebral. Para isso serão abordadas duas correntes de investigação: os impactos do analfabetismo na arquitetura cortical e a influência do bilinguismo na plasticidade cerebral. Seguindo o incentivo que Juan Azcoaga deu ao salientar a importância de exames neurais para o estudo do comportamento foram selecionados artigos recentes que estudaram esses dois tópicos utilizando técnicas de neuroimagem. Os achados indicaram que ambos os processos, leitura e bilinguismo, são intervenções culturais que modulam estrutural e funcionalmente o cérebro e que esses aspectos devem ser cuidadosamente considerados na avaliação neuropsicológica. A aquisição da leitura está envolvida com maior especialização do hemisfério esquerdo para tarefas de processamento fonológico e visual/gráfico, além de promover mudanças no processamento visual básico, seguindo a hipótese de reciclagem neuronal. O bilinguismo, por sua vez, parece ser um processo mais complexo, com atuação na plasticidade cerebral em diferentes conexões e redes neurais, favorecendo ainda a formação de uma reserva cognitiva ao longo da vida.
Palavras-chave: linguagem; neuropsicologia; bilinguismo; analfabetismo; neuroimagem.